• Em duas horas mudaram de mão dez milhões em imóveis

    Fonte: Jornal de Negócios

    O Centro Hospitalar de Lisboa levou a leilão uma dúzia de prédios em bairros históricos, alguns com inquilinos antigos. Em pouco tempo passaram de mãos, vendidos 48,4% acima do valor base proposto.

    Wenpeng Zhang foi dos últimos a chegar, mas cedo se percebeu que teria uma palavra a dizer no leilão. Nascido na China, mas a viver em Portugal há cerca de 12 anos, fluente em português, foi a sua mão que mais vezes se levantou na sala onde, durante cerca de duas horas, vários investidores licitaram e disputaram entre a compra de 12 prédios em Lisboa localizados em bairros históricos.

    Os imóveis pertenciam ao Centro Hospitalar de Lisboa, que inclui os hospitais de São José, Capuchos, Santa Marta, Estefânia, Curry Cabral e MAC. Eram todos: da primeira metade do século XX e localizam-se nas freguesias da Misericórdia, São Vicente e Santa Maria Maior, na zona histórica de Lisboa, as mais apetecíveis para investidores que compram, reabilitam e revendem, com margens que ninguém revela, mas que todos admitem ser generosas. Tanto que até compensa comprar com inquilinos idosos e rendas antigas, que terão de manter ou realojar.

    Os números falam por si. Os doze prédios chegaram à praça com um valor base de 6,4 milhões e foram vendidos por um total de 9,5 milhões. Em pouco mais de duas horas, o tempo que durou o leilão, valorizaram 48,4%.

    Wenpeng Zhang, que se interessou por vários, acabou por arrematar dois. Um na zona da Bica, oito pisos, dez inquilinos, a precisar de grandes obras. Valor inicial: 1,2 milhões de euros. Valor final: 2,1 milhões. A zona é atualmente uma das mais valorizadas da cidade e o investidor chinês sabe disso. Há muitos clientes interessados, sobretudo estrangeiros, brasileiros, franceses, alguns do Vietname". Zhang espera ter, no final, uma rentabilidade entre os 5% e os 6%.

    Paula Quelhas, em representação da promotora Living In, foi uma das que se bateu taco-a-taco com Wenpeng Zhang nas licitações para o prédio. Acabou por desistir, porque "a partir de uma certa altura já não dava", mas admite que os mais de dois milhões "foram um preço justo". Paula tem grande experiência nesta área. Investem para revenda, mas também "para rendimento". Têm casos em que, não querendo os proprietários vender, fazem arrendamento a 15 anos, reabilitam e exploram. Pagando, naturalmente, uma renda que incorpore os gastos que tiveram com a reabilitação. E a quem vendem ou a quem arrendam? "A investidores que não acreditam na banca e assim diversificam as suas apostas, com rendimentos que serão sempre no mínimo de 5% ao ano.

    Entre os prédios que o Centro Hospitalar de Lisboa levou a leilão havia-os localizados em são Vicente, na Graça, na Calçada do Combro, no Cais do Sodré ou no Bairro Alto. Zonas muito procuradas por quem quer investir para arrendar a turistas, em regime de arrendamento local e com rendimentos garantidos. Entre os compradores estrangeiros, há quem os use para passar as suas própria férias - ou para assegurar o regime fiscal dos residentes não habituais - e no resto do tempo entregue a empresas que fazem a gestão e arrendam a turistas.

    Bernardo Alabaça, sub-diretor-geral do Tesouro e Finanças, cuja equipa tratou da componente logística do leilão, fazia no final um balanço "muito positivo". Preços altos e inflacionados? "Certamente que os investidores fizeram as suas contas e estes são os preços que o mercado está a praticar".

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