• Por que tantos cariocas estão elegendo Portugal como segunda casa

    Fonte: O Globo

    O agradável clima de Lisboa — cidade que tem a média de 260 dias ensolarados por ano e cuja temperatura mínima raramente é inferior a dez graus — costuma ser um dos primeiros pontos listados pela enxurrada de brasileiros que vêm elegendo Portugal como segunda casa. Os laços que unem os dois países há mais de 500 anos, a proximidade cultural e, claro, a facilidade da língua completam o pacote.

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    Em termos práticos, mudanças na legislação portuguesa são outros atrativos consideráveis. Para tentar sair da crise que assolou o país nos últimos anos, o governo lusitano criou uma série de incentivos, como benefícios fiscais e concessão de visto de residência para investimentos acima de 500 mil euros, o chamado Golden Visa. Embora sejam considerados hoje os melhores clientes das agências imobiliárias lisboetas focadas no mercado de luxo, os brasileiros representam apenas 4% dos pedidos de Golden Visa — os chineses são a grande maioria (83%).

    — Os números não correspondem à avalanche de brasileiros comprando imóveis porque muitos já têm, por parte do avô ou da avó, cidadania portuguesa — ressalta Mario Vilalva, embaixador do Brasil em Portugal.

    Para o diplomata, a ascensão do turismo no país e a queda no valor dos imóveis, em decorrência da crise econômica, foram determinantes para o boom:

    — Quando começaram a redescobrir Portugal, inicialmente como turistas, os brasileiros passaram a enxergar Lisboa como uma possibilidade de segunda casa, como aconteceu com Miami tempos atrás — analisa Mario Vilalva.

    Aguinaldo Silva, Glória Perez, Cláudia Abreu, Fernanda Torres e Paolla Oliveira, só para citar alguns nomes conhecidos, integram a cada vez mais extensa lista de proprietários na capital portuguesa.

    — O que eu mais gosto de fazer em Lisboa é andar nas ruas, sem sobressaltos, descobrindo lugares — conta Glória Perez, que tem passado férias no apartamento que comprou em frente ao Parque Eduardo VII. — É tudo tão familiar, a gente se sente na casa dos avós. E está mesmo lá, não é só impressão. Além dos amigos, tenho primos em Lisboa. Primos portugueses. De modo que, quando vou, também estou em família.

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    — O brasileiro não é mais tratado como um estrangeiro em Portugal — afirma o embaixador do Brasil em Lisboa, Mario Vilalva.

    Baseados em Lisboa há pouco mais de um ano, os cariocas Andréa Acker e Raul de Lamare, ambos na faixa dos 50 anos, já fizeram vários amigos lisboetas.

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    O casal mora em um simpático apartamento na Estrela, que junto com o Príncipe Real seria o equivalente ao eixo Gávea-Jardim Botânico. Eles não têm data marcada para voltar para o Rio, onde ela trabalhava como produtora de grandes eventos e ele como consultor de restaurantes.

    — As nossas vidas estavam em um ritmo muito frenético. Viemos em busca de uma rotina mais calma, para dar uma desacelerada — diz Raul.

    Outro concorrido destino em território português para quem busca um estilo de vida mais pacato é Cascais, balneário a 30 quilômetros de Lisboa. Ex-moradora do Leblon, a advogada Paula Monteiro Vianna chegou a morar um ano na movimentada Rua da Misericórdia, no Chiado, mas há quatro anos, quando engravidou do primeiro filho, mudou-se para Cascais.

    — A maior parte dos brasileiros que está vindo morar em Portugal está indo para Cascais. É uma vida mais calma, com uma rotina típica de bairro. Chiado e Bairro Alto, em Lisboa, acabam sendo lugares mais procurados por quem compra apartamento para passar temporadas, pois há mais opções de restaurantes e vida cultural ao redor — compara a advogada.

    Nos muitos dias de sol, Paula encontra a comunidade brasileira concentrada na caminhada matinal no paredão, como os portugueses chamam o calçadão à beira-mar, que liga Cascais a Estoril:

    — Aquela caminhada matinal na Praia de Ipanema é substituída pela caminhada no paredão de Cascais.

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    Espécie de Leblon no passado, o Chiado hoje é comparado a Copacabana. Mesmo saturado, continua a ser um dos metros quadrados mais caros de Lisboa: oito mil euros, em média. Mas, mesmo assim, ainda está abaixo das áreas nobres de outras capitais europeias: imóveis de luxo em Londres custam até 33 mil euros, o metro quadrado.

    — Antes de o governo abrir as janelas para o investimento estrangeiro, não se vendiam imóveis em planta em Portugal, o mercado internacional era praticamente nulo. O programa do Golden Visa aguçou o apetite de quem nunca tinha olhado para cá. Hoje, já não há mais estoque para vendas, situação oposta à que estávamos vivendo em 2011 — analisa o advogado português Manuel Bento Nogueira, do escritório Legal Square, que tem a clientela dividida majotariamente entre brasileiros e chineses.

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    — Avenidas Novas é uma área muito próxima ao centro histórico de Lisboa, a grande procura do mercado. Num raio de 600 metros, você está na Marquês de Pombal e no El Corte Inglés. E a um quilômetro está no Chiado, Bairro Alto — detalha o arquiteto baiano Sidney Quintela. — Lisboa é uma porta de entrada para a Europa e um lugar onde se tem um estilo de vida muito atraente. Neste momento, os imóveis estão recuperando o preço original, pois o valor do metro quadrado estava muito aquém. Acredito que, nos próximos dois anos, vai haver um acréscimo de até 10%. E vai estabilizar por aí. Não é uma bolha.

    O bairro da vez, no entanto, é Santos, que reúne lojas de design, galerias de arte, startups. Lá está sendo erguido o Santos Design, empreendimento da Stone Capital. Os apartamentos têm vista para o Tejo, garagem, dependências, área comum com spa e academia de ginástica. E a noite local ainda é comparada ao Baixo Gávea. O que eles podem querer mais?

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